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9 de fev de 2010

A CHAVE DA FESTA

       Encontrei-a no corredor quando ia ao banheiro. Estava com outra roupa e cheiro de quem acabara de sair do banho. Não pude deixar de notar que estava sem sutiã por baixo do vestido amarelo escuro de tecido sedoso, preso por duas frágeis alças, por causa dos bicos dos seios eriçados. Olhou-me com um jeito meio moleque e, sem dizer nada, agarrou-me pela mão e foi me conduzindo em direção ao quarto. No caminho ainda me olhou umas duas vezes com um meio sorriso e, uma vez lá dentro, sem perda de tempo, passou os braços pelo meu pescoço e me olhou, desta vez com um olhar de puro tesão, levando a sua boca em direção à minha.
       Foi um beijo guloso e, pela primeira vez, senti sua língua macia fazer maneios eróticos de encontro à minha. Ouvia, tenso, o som das vozes dos amigos que estavam na sala e
pensei no marido que dormia no quarto ao lado. Era uma loucura. Deliciosa e tesa situação, mas pura loucura.
      Eu estava com os sentidos entre a entrega total e os temores justificáveis. Não sabia o que fazer com as mãos, largadas nos seus ombros. Ou melhor, sabia muito bem o que poderia fazer com cada uma das mãos, porém a intenção esbarrava na razão receosa, até que ela conduziu a da direita sobre o seu seio e a esquerda nas suas costas que, já sem controle, desceu para sua bunda firme, carnuda.
      Colara seu corpo no meu e quase caímos ao buscar uma parede para encostar. Meu tesão era indisfarçável e ela se esfregou em mim e com mão, que não encontrara nenhum vestígio de outro tecido que não fosse o vestido, puxava-a – como se houvesse jeito dela chegar mais em meu corpo. Ela, eu e a parede, éramos um, e o beijo ainda era o mesmo do início, com o som incontrolável dos nossos desejos.
      Minha mente em um estado de total frenesi já traçara o caminho a seguir: levantar o curto vestido, tocar sua carne nua e sentir o calor do seu sexo, com toda certeza, molhado e latejante. Depois baixaria uma das alças e abocanharia com vontade o seu seio que sabia ser maravilhoso na forma, embora ainda não o soubesse no sabor.
      Agora já tinha o controle da situação em que fora pego sem aviso. Agora era para o que desse e viesse, não me importava mais as vozes na sala, a porta do quarto do quarto do casal fechada e o marido que dormia. Importava o seu cheiro bom, o gosto do vinho em sua boca, o seu gemido abafado e denunciador de suas sensações e desejos.
      Ela tinha tomado todas as iniciativas até então e quando eu, finalmente, resolvi também iniciar, à minha maneira, mais loucura naquele acontecimento inusitado, ela se afastou e me pediu para parar. “Vamos voltar pra sala, acho que já estamos dando bandeira... Depois a gente conversa... A gente tem muito que conversar... Vem!” Achei melhor ela ir primeiro e disse: “vai na frente, vou ao banheiro e depois volto pra sala.”
       Quando retornei todos estavam envolvidos numa conversa sobre o prêmio Nobel dado a Barack Obama. Eu, recuperado do susto e do tesão, fiquei imaginando a doidice de tudo o que acabara de acontecer. Imaginei o marido abrindo a porta do quarto e nos pegando sem tempo de nos recompormos. Olhei para ela, que, parecendo adivinhar meus pensamentos, tinha pendurado no dedo mindinho, da mão que segurava a taça de vinho, a chave da porta do quarto do casal.
       Respirei aliviado e até sorri da sua peraltice. Fui também tomar uma taça de um tinto delicioso, mais por necessidade do que por vontade.
       Ainda estou esperando para conversarmos, e já faz quase um ano.

Um comentário:

Volnei disse...

Muito bom
No decorrer do texto indicava algo, mas o mistério feminino, levou para outro caminho. Muito bom mesmo.
Parabéns

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