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5 de nov de 2010

CONFIDÊNCIA NO BAR

Estava no bar e uma desconhecida senhora, na faixa dos cinquenta anos, me contou da mesa ao lado, como se fôssemos velhos conhecidos, que há muito tempo deixara de acreditar nos homens.
“Imagina que fui casada por vinte anos com o desgraçado e nunca, em momento algum, desconfiei da sua fidelidade. Eu era uma boba, inocente... Era feliz, é verdade, mas toda inocência tem um fim e, com ela, a felicidade da gente vai embora e não volta mais... Nem adianta procurar – é besteira, perda de tempo.”
Sua fala se entrecortava com profundos tragos no cigarro, acesos um após o outro, e generosos goles de cerveja. Para auxiliar a narrativa,
gesticulava com o braço, o dedo indicador distendido.
“Eu sempre fui honesta com ele... E olha que não faltou homem me rodeando, não. Sempre fui muito assediada e, você deve saber que homem safado é o que mais tem. É ver aliança na mão que encosta, feito praga na gente. Mas comigo, não... Se quisesse tava ali, na mão, mas fui criada num tempo em que a mãe da gente ensinava o que era decência... Hoje? Hã! Marido chifrado é igual nota de um real, todo mundo tem.”
“Você é novo... E não é casado... Ou é? Não tô vendo aliança no seu dedo...”
Preferi me abster de fazer qualquer comentário, como estava me portando até aquele momento.
“Mas isso também não quer dizer nada, quase ninguém mais usa aliança. O Joaquim, meu ex-marido, deixou de usar... Disse que tinha perdido. Sabe aquela conversa de que foi lavar as mãos e esqueceu? Eu devia ter desconfiado naquele tempo... Só que ele nunca me deu motivos para desconfiar. A boba aqui, toda certinha, satisfazendo os caprichos dele e por trás, o safado aprontava todas! E homem, sabe como é que é: não aguenta um terço do que a gente aguenta. Se homem tivesse que parir a raça humana estava extinta há muito tempo! Você é homem e deve saber do que estou falando...”, arrematou com segurança.
Esperou que o garçom abrisse a cerveja e enchesse-lhe o copo, antes de continuar.
“Então... Vinte anos de casamento que rendeu duas filhas lindas... Precisa ver. São duas princesinhas e já estão de namorados. Tenho pena delas, mas não deixo de alertar para confiar desconfiando... É um olho no cachorro e outro na lingüiça. Se bem que filhos, hoje em dia, não ouvem os pais. Mesmo com exemplo dentro de casa... Eu fiquei mais danada de raiva com o Joaquim, meu marido, por causa das nossas filhas. O pai devia ser o primeiro a dar exemplo, não acha?...”
Sem esperar resposta, calou-se por um tempo, pensativa. Deu um trago no cigarro e me olhou, apontando o dedo.
“Se você tiver mulher, dá valor a ela! Senão, quando perder, vai ficar lamentando. O Joaquim sabe que nunca vai encontrar uma mulher como eu, direita, que trabalha, ajuda em casa nas despesas. Mas ele não quer saber disso não! E agora eu não tou nem aí... que se foda ele e seus casos... Vai ter mal-gosto assim lá no inferno! Eu, hem!...”
“Vou te dizer... Não tem coisa pior do que pegar o marido da gente no flagra. O mundo parece que desaba ali, na sua frente. É triste, meu amigo. Muito triste... Só Deus sabe o quanto eu sofri... No começo vem uma raiva de matar e a gente até mata se tiver com uma arma não mão numa hora dessas. Mata rindo! Quando a raiva passa, vem o desespero a angústia... E o pior: as dúvidas! A cabeça da gente parece que dá um nó. A gente começa a pensar há quanto tempo que vem acontecendo, se outras pessoas já sabiam e ficaram caladas, e a gente com cara de idiota, imaginando ter um casamento feliz... E a culpa toma conta da cabeça. Culpa e dúvidas, mágoa e é um inferno!”
“E, vou te dizer uma coisa: há males que vem para o bem. Só depois, quando com muito custo eu me recuperei do choque, da verdade que não queria ver, é que descobri que o Joaquim era ruim de cama... Ruim e sem sal. Arrumei logo um namorado, não ia ficar a vida toda me lamentando e peguei logo um amigo dele. Foi aí que descobri que existia uma mulher dentro de mim que nem mesmo eu sabia. Meu namorado era fogoso e sabia como pegar uma mulher!...”
“A gente... Eu e o Joaquim, só transava muito raramente. Achei que era assim mesmo, só que esse namorado queria toda hora e foi só então que descobri o prazer... Imagina! Descobrir que mulher também pode gozar aos quarenta anos de idade!... Aí, meu amigo, cai na farra! Tirei o atraso e, só de pirraça, catei um a um, todos os amigos do Joaquim!”
“Só não peguei mesmo foi o Antonino... Isso porque ele é bicha... Aqui entre nós:...”
Disse isso e pôs a mão cobrindo a lateral da boca, aproximando-se de mim, falou em tom confidencial:
“Foi com ele que eu peguei o Joaquim!... Os dois! Duas bichonas! Pode?”


16 de agosto de 2009

3 comentários:

Anônimo disse...

OSAIR, MUITO BOM ESSE CONTO E POR, INCRÍVEL QUE PAREÇA, CONHEÇO UM HISTÓRIA PARECIDA COM ESSA E BEM VERDADEIRA, 30 ANOS DE CASAMENTO E A MULHER CHEGOU EM CASA DE REPENTE E PEGOU O MARIDO COM O GENRO. PODE...
FANTÁSTICO SEU BLOG
ABS. SANDRA

Paola Rhoden disse...

Em cada canto desse mundo tosco, existe uma história parecida. Um conto que pode ser verídico. Abs.

Mulekaaaa disse...

Sua cabecinha é algo muito especial mesmo...quantos sentimenos, quantos conflitos, quantas situações tudo exposto num pequeno conto...
beijos estalados

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