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19 de mar de 2013

UM BOM HOMEM


Sempre achei o Zildo um cara idiota. Tem a namorada mais bonita da cidade e parece não se contentar; vive na praça da igreja, sentado no banco do coreto, para ver as garotas passarem, após a missa. Cada uma que passa é um assobio. Acho isso um desrespeito com a Juliana. E, pior, vive falando das qualidades da namorada, para os outros homens, no bar, jogando sinuca. Quem faz propaganda, meu velho, tá querendo vender. Um idiota e cretino, o Zildo.
A Juliana, coitada, morrendo de amor, suspirando pelo namorado. Mal sabe ela que namora um imbecil, que não lhe dá o devido valor. Só que nunca lhe disse nada, pois ela além de não acreditar é bem capaz de brigar comigo. Eu jamais magoaria a minha prima, moça bonita, estudada e excelente professora. Mas, que eu me coço de vontade de contar, coço; isso é verdade.
E tem mais. O Zildo é baixinho, quase careca e com um sorriso torto, por causa de um dente de ouro no canino que faz questão de exibir. Em resumo, o sujeito é feio e metido a besta. Como é que a gente pode entender o coração das mulheres? Juliana, todo ano, é eleita a princesa da festa da melancia. Bonita igual a ela não existe. Morena, esbelta, cabelos negros como asa de urubu, desce até o meio das costas. E o sorriso? Lindo, tão lindo que quando dá risadas o peito da gente chega a doer de emoção.
Tia Laura tem lá as suas desconfianças com o Zildo, não é boba, contudo, faz de conta que não vê nada. Só pode ser por causa do dinheiro do merdinha. Fica calada, com os olhos atravessados no sujeito quando ele visita a Juliana. E ele, lá, com aquele papo mole, prometendo casamento no máximo em dois anos, assim que o avô entregar a herança deixada pelo pai. É só completar vinte e um anos, diz. E a pobre da Ju fica radiante, toda feliz. Inclusive já comprou todo o enxoval.
Um dia a coisa ficou russa para ele. Cheguei à casa da tia Laura e fui entrando, já que sou da família. E aí vejo o Zildo, de costas e cara grudada na porta do banheiro, com a mão lá embaixo, nas coisas dele. O feladaputa tava espiando a Juliana tomar banho! Fiquei amarelo de fúria e lasquei um tapa bem colocado no pé do seu ouvido. O cara voou uns dois metros antes de cair estatelado no piso, procurando o cavalo que lhe dera o coice. Pensei em bater mais, porém ele levantou e saiu correndo, o covarde punheteiro safado!
Tia Laura não estava em casa. Para acalmar meu estado de nervos, fui dar uma espiadinha na fresta da porta de madeira. Era demais! Era a criatura mais maravilhosa deste mundo de meu Deus! Lembrei da Roseana, aquele arremedo de mulher, com sua pança imensa e sem bunda, peitos caídos – maldisse a minha falta de sorte. Como é, me perguntava sempre, como é que fui casar com uma mulher daquela? Afastei a peste do meu pensamento e fiquei contemplando minha deusa, com graciosos gestos, ensaboar aquele corpo divino.
Prometi a mim mesmo e a Deus, naquela hora: com aquele imbecil do Zildo ela não se casava. Ela merecia homem melhor, digno, respeitador. Se o Zildo esperava a herança do pai para casar com a Juliana, eu esperava que Roseana se enfastiasse de levar sopapo e pedisse o divórcio. E não sou do tipo que perde as esperanças. E, se eu faço isso, é por amor a minha prima Juliana. Ela merece o melhor!  

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