Na tradição pitagórica seguida por Aristóteles encontramos a quintessência, o elemento primário, corpóreo, brilhante e sutil, de que são feitos os astros e os corpos. É nessa quintessência que residem os demônios, vampiros, monstros, o bicho-papão, o lobo-mau, a crueldade bestial.
Monstros não existem, na acepção da palavra, na realidade visível. Nem o bicho papão nem vampiros ou, mesmo, o diabo. Mas não olhe para a própria alma: a menos que esteja preparado para o que vai encontrar.
A besta é a fera quintessencial, isto é, nada mais do que o imagem de nós mesmos. O ser humano primário, nosso arquétipo ancestral, embuido do instinto de morte do seu rival, chupando-lhe o sangue da vida, saciando a sede da intolerância e, ainda, escondendo em si mesmo seus maiores temores.
O vampiro está em nós, desde sempre, na eternidade dos tempos, aprisionados no desejo, na culpa, nos medos. É nele que nos amparamos para justificar, inconscientemente, os nossos desejos mais terríveis quanto obscuros.
É preciso que desçamos ao mais profundo de nós mesmos, ao labirinto de nossas almas, para nos ascendermos com o mistério reconquistado e, assim, nos enxergamos no espelho, visualizar o nosso eu verdadeiro. Assim é possível romper as amarras do ciclo eterno de necessidade, abastança e consolação.
Como nós, e por sermos nós, a besta, o monstro, encontrará a harmonia, a paz, a pureza e a redenção. E então poderemos olhar para nossa alma e enxergar no vampiro a confissão poética da quintessência de que somos feitos.
Osair de Sousa Manassan
08/08/2009
O desumano é o humano em nós
Por Osair às 3:22 PM 5 comentários
08/07/2009
Twittando – No dia MJ
1. Livro: "O Menino do Pijama Listrado" - a amizade entre 2 garotos, um alemão o outro judeu, durante o holocausto. Vale a pena ler!
2.... And 140 deads Chineses? It does not have memorial?
3. "Som e Fúria", de Fernando Meirelles, estreia hoje - vou assistir.
4. "Stevie Wonder canta durante cerimônia em homenagem a Michael Jackson no ginásio Staples Center" - P.S.: Stevie Wonder é cego.
5. Daniel Dantas assinava e-mails de negociatas como "Olhos Verdes Sensuais", diz PF em denúncia do MP. - Imagina!
6. "FHC disse apenas que está "perplexo" com as denúncias de irregularidades que envolvem o presidente do Senado, José Sarney" - Hehehehe...
7. Brasil começa a ser levado a sério pelo mundo, diz o "Financial Times" - Ah, é?
8. Manchetes S/A: "Ivete Sangalo já sabe o sexo de seu bebê" - Não contou, mas vai se chamar Michael ou Michaela, pode apostar!
8."Advogado e promotor brigam em júri de milionário da Mega-Sena morto" - Hahahahaha!
9.Fãs veem "fantasma" de Michael Jackson na CNN... "Manchete do Terra"...
10.Dólar fecha a R$ 1,99 com cenário externo negativo - Nada a ver com o falecido mr. M.J.
11.Reunião de músicos, agora aqui em casa. Nenhuma nota, só conversa fiada. Gilson Mundin e Geovanni Marçal - Toca, ai, porra!
12. Será que mr. M. J. tirou as luvas e esqueceu de lavar as mãos? Talvez ele tenho morrido de gripe suína... tãta-tã tã!!!
13.Pegando carona no mundosdalua: Martin Luther King morreu aos 39 anos e foi o homem mais jovem da história a receber o Nobel da Paz.
13a.Mundando de assunto, a gripe suína fracassou, foi um engodo - é tão perigosa quanto a gripe comum...
14.E o Olodum, vai bater os tambores em homenagem a Michael Jackson, o rei do Pop, no Largo do Pelourinho?
15....E nada sobre os 140 mortos no protesto na China। Um americano morto vale mais que centenas de Chineses mortos, para a mídia, off course!
16.Hoje é um daqueles dias que não terei saco para assistir aos telejornais... I'm sorry, M.J.
17.Um instante para refletir: por que um negro queria virar branco? Auto-racismo?
18.Falando nisso, como será o mundo, agora, sem o Mr. M.J.?
19.A múmia insepulta é uma gloriosa catapulta para o show business alavancar $$$$$$$$$$$ dólares.
20.He arrives drunk, aggressive, it goes to sleep, as always...
21.Ana, you are always in my heart...
22.Digitalizando fotos de cinco anos atrás... Saudades.
23.Agora, retomo "Memórias Indecentes", título provisório. Ah, é um romance.
24.Falando em livro, a poeta paulista Suzy Malmal revisa o romance "Alegorias da Razão e do Absurdo. Em breve, nas livrarias.
25.O livro "O Segurança e Outros Contos". Falta revisar. Alguém se habilita a fazê-lo em troca de um agradecimento especial no mesmo?
26.Priscilla Martinelli, lua baiana, adicionada. Saudades, sempre, do mundosdalua...
Osair de Sousa
Por Osair às 12:50 AM 1 comentários
09/06/2009
Zuca, um amigo
Zuca, um amigo de muitos anos, vive desnorteado. Bebe todo dia e é fraco para enfrentar a bebida. Daí, fala e diz, pensa em voz alta e se revela nas suas frustrações e satisfações.
Ontem me repetia: “é preciso ser feliz sozinho pra depois ser feliz com outra pessoa...” – Concordo.
Ele, como muitos, dizem frases coerentes e agem em total desacordo com o que proferem. Não por burrice ou incompreensão dos conceitos emitidos, mas por uma incapacidade psíquica de agir em prol de si mesmos.
Zuca não percebe o desamor que tem por si, da sua infelicidade que busca o seu inverso na bebida. Sob o efeito do álcool, destila amarguras que não tem fundamentos. É um sentimento imaginário e autovitimizado que o transforma numa caricatura decadente do humano.
E me perguntam “como você atura esse cara?”. Ele precisa de alguém para tentar ajudá-lo. Os que me perguntam não precisam de ajuda. São autosuficientes. Ou acham que o são.
Se fugirmos dos “Zucas” da vida, estamos caindo na perigosa armadilha da omissão e do egocentrismo. Gente é para ser feliz e, só se é feliz com a partilha, com o doar o seu melhor para os que necessitam.
Ao meu amigo doo o meu ombro amigo, os meus ouvidos, a minha paciencia.
Osair de Sousa
Por Osair às 3:58 PM 2 comentários
29/05/2009
Fadário
Nunca desperdice um céu repleto de estrelas
Nunca aniquile o brilho dos olhos da mulher
Escute o que dizem as noites da sua vastidão
Estrelas ascendentes
Seja, mas nunca, não
De feminino brilho Ame, mas nunca, não
Ouse conquistar
Somente o amor estelar
Sempre seja ao feminino o que reluz
Escute o que diz o coração e seus quereres
Dizem os fadários
A alegria é uma menina
Que faz um brinde com pingentes de estrelas
É a suavidadedo canto de uma mulher
Osair de Sousa
Por Osair às 8:41 PM 2 comentários
28/04/2009
Poema Dostoievskiano
Caindo da página
Sem a proteção das palavras
A alma é intenção oculta
Que aflita se cala
Ao afago fustigado
No infinito em si mesma.
Por Osair às 3:33 AM 2 comentários
Confissões
Em algum lugar dentro de mim, ainda mora um sonho, como se sobrevivesse para escrever outra vez, capítulos da minha história lavrada pela eloqüência da realidade e pelos ditames da razão.
Não me chega o tempo da quietude. Meus passos nunca reconheceram o caminho que apenas impõe o seguir em frente. Já nem sei, se chegar era meu objetivo precípuo. O que há e o que se faz, quando se cruza a linha de chegada? Empilha-se mais um troféu na prateleira das nossas conquistas? Onde ficam as tantas pequenas vitórias que se saboreiam no decorrer de cada percurso, mesmo quando não se vence, se nos ensinaram que apenas é ganhador aquele que chega primeiro? .jpg)
Como relatar ao mundo, o momento que me detive em meu trilhar, observando apenas o acariciar do vento nas pétalas de uma flor? Como contabilizar isto em perda de tempo, se sequer imaginam os arrepios do meu olhar ou os sorrisos de prazer que aquela imagem me propiciou? Talvez me acusem de distraído e inadequado ao momento, que exigia que eu apenas continuasse e que subisse ao pódio. Era isto que esperavam de mim: vencer.
Outros ainda dirão que estou fora do padrão estabelecido pelas regras da sobrevivência social. Ah, neste aspecto, errei a vida inteira. Pequei sempre, quando preferi não tropeçar em meu sentir e escutei o pulsar do meu coração, não somente para constatar que vivia. Sempre fui um amador nestes rituais, em que se sacrificam as emoções. Onde há normalidade, quando se põe amarra no peito, calando o som de uma carícia?
Nunca compreendi histórias lineares, reações exatas ou gestos estudados. Bem que tentei aprender a disfarçar minha insegurança, o frio no estômago ou o rubor repentino, quando exposto ao espelho do cotidiano. Em quase todas as tentativas neste sentido, falhei. Talvez por isto, tenha me desencontrado muitas vezes de tantas pessoas.
Nunca amordacei minhas saudades, nem meu romantismo à flor da pele...Sempre despi minhas máscaras, porque era em outro olhar que eu desejava também me encontrar e reconhecer-me. Mas meu olhar despido, vezes causou estranheza e constrangimento. Vezes, indiferença e tolos julgamentos.
Minhas palavras nunca souberam esconder o segredo de um amor, quando me habitava o corpo, a alma, o sonho.
E eu, com esta mania esquisita de falar do que sinto pelos lábios, mãos e olhares. E eu, com esta forma estranha de dar reconhecimento do que sinto e por quem sinto. Sempre foi inútil querer silenciar minhas confissões. Como se o amor tivesse que ser testado, discutido, dimensionado e não apenas sentido. Parece que saber de sua existência não basta. Tem que ter certificado de garantia, manual de instruções e, se bobear, até posologia. Talvez seja por isto que grande parte de nós sequer desconfie o que é viver um grande amor.
A noção mais próxima deste sentimento fica ladeando as histórias que nos contam, como as vividas por Abelardo e Heloísa, Tristão e Isolda e tantas outras ou nos livros de poemas que lemos no decorrer de nossas vidas.
De uma forma ou de outra, a expressão do que sinto fica meio desajeitada neste mundo. E como se não bastasse, ainda flagrei-me poeta. Mas quase sempre, a palavra ainda me parece pouca para compreender minha ignorância no universo da emoção.
Minha essência é nua. Coração exposto e sem labirintos. Ainda prefiro a minha ternura boba, um perfume de saudade em meu travesseiro, a minha voz entregue para as estrelas, do que viver desabitado de mim mesmo.
Enfim, faço minhas as palavras de Roberta.
Osair de Sousa
Por Osair às 2:55 AM 1 comentários
08/04/2009
17/12/2008
Amantes
É no seu corpo que ele se perde: sem nome, sem palavras, frágil na sua força de amante. Perdido, se sente feliz e crê, entre seus seios e coxas, ser infinito, imortal. No seu desvario, ela é o seu porto seguro, onde ele atraca seu prazer e descansa a cada gozo – perdição e reencontro.
Ela rouba-lhe a vida e a dispõe ao seu jeito e forma, dando-lhe a certeza de não ser sem que ela lhe seja. A ama, mas não a pode ter, ela jamais ficará com ele; pertence ao seu agora e nada mais.
O choro brando, as lágrimas sutis que lhes escapa dos olhos, ela as dedica a um amor perdido num distante passado, numa memória ancestral. Amor que se arremete do seu eu profundo para explodir na sensualidade de seu corpo quente e ávido de prazeres. Ele lhes proporciona-os.
Amam-se uma tarde inteira e no silêncio do anoitecer, ele tateia as mãos fortes e trêmulas por todo o seu corpo. Guarda as sensações de cada ponto e instante e lamenta silencioso. Lamenta sua frágil condição de homem que depende dela, apenas dela, para se sentir vivo e eterno. Separam-se, enfim.
Ela vai para o seu mundo insosso, silencioso, sem amores tangíveis. Ele vagueia pela cidade à espera de uma outra tarde, para se encontrar naquela que o faz se perder.
Osair de Sousa
Por Osair às 2:57 PM 2 comentários
11/06/2008
Um todo no agora
O amor dos dois teve um início com um tempero apimentado, pois é aceitável, por normal, que a paixão tenha a sua ardência. O tempo, entre o findar e o recomeçar a cada dia, foi condimentando esse amor na medida ideal para um saborear constante. E saborearam-se entre as mais diferentes oferendas do amar sem fronteiras, e não se sentiam fartos. Ao contrário, havia sempre mais espaço para o desejo de deleitar-se, e repartiam o prato do bem-querer, num sabor e intensidade própria a cada boca sôfrega.
Era um amor sem excessos supérfluos, num excessivo doar-se e receber, gozar e se dar ao gozo do outro, num oferecer saboroso e belo e tanto enquanto se achavam a sós. E nesse degustar-se mútuo, faziam-se dependentes do amor idêntico. Eram intuitividade plena, sem racionalidades, pois não cabe ao amor deter-se em razões. A razão, sim. A razão precisa do amor. Só com o amor a razão não desanda para o desatino. Só com o amor impregnado em si, a razão se humaniza.
Amavam-se. A vida tinha um sentido a mais. E era-lhes de um sabor bem temperado ao apetite insaciável dos sentidos. Assim se sentiam realizados, um bocado a cada dia, um todo no existir do agora.
Por Osair às 5:19 PM 7 comentários
05/06/2008
Depoimento
“...E me perguntam, como sobreviveu a tanta dor? Eu respondo que ainda estou sobrevivendo a mais dolorosa das aflições, que é a dor moral. É a humilhação de ter o seu eu exposto à violência gratuita, sua intimidade devassada, seu corpo exposto e explorado em todas as suas reentrâncias.”
“Que animal faz esse tipo de coisa? Nenhum, que não seja humano. Os animais se respeitam, não torturam, matam por necessidade vital, matam dignamente. Os animais não torturam, não se ejaculam diante do sofrimento do outro. O homem não merece ficar na categoria dos animais: é um desrespeito ao instinto primário..."
“As dores que sofri, a sensação cruel da eletricidade sacudindo o corpo molhado e despido, e tantos outros requintados métodos de martírio físico passaram e deles só restam algumas cicatrizes. Mas a dor moral, não. Essa se aloja na alma da gente, gruda no existir e nos assombra para o resto da vida. Vira pesadelo recorrente, num eterno retorno, num eterno ferir e machucar, que desespera, que entristece os restos dos nossos dias.”
“Os algozes sentem-se orgulhosos dos seus feitos covardes, não conhecem o constrangimento. Arrotam vitória, sem ter a noção de que não existe vitória no subjugo pela força, na incapacidade do outro de se defender com dignidade, com igualdade de condição.”
“Quer saber mais? Sentiam-se reis, mas eram reis sem coroa, sem glórias reais. Perdidos, agora, sem reinado, vestindo as máscaras da desonra, vagueiam sem conhecer o amor, sem a alegria dos que combateram o bom combate. Sem a grandeza dos que ousaram sonhar e foram em busca do sonho, que se somaram entre outros de igual gentileza, num sonho coletivo. O que são, hoje, esses algozes dos solidários? Não vou negar a minha repulsa: são seres desprezíveis, vermes que rastejam na lama ensangüentada de seus atos execráveis, vis...”
Osair de Sousa [Trecho do livro: Alegorias do tempo e da razão]
Por Osair às 12:00 AM 1 comentários
17/05/2008
Amanda
Entrou em casa, tirando os sapatos e seguiu para a cozinha onde instruiu Noemi sobre o jantar. Depois passou na biblioteca para dar um beijo no marido; disse-lhe que iria tomar um banho e dormir um pouco. – Quando o jantar estiver pronto, você me acorda, por favor?– Pediu, dirigindo-lhe um olhar carinhoso.
Enquanto a água do chuveiro escorria sobre Amanda, que espalhava com as mãos um sabonete líquido no pescoço e nos seios, pensou em Jorge e sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo.
Tinham-se passado três dias desde o seu último encontro com ele, e o desejou ali, ao seu lado, debaixo daquela água... “Era um bom amante”, pensava, ao mesmo tempo em que uma excitação crescia dentro de seu corpo e extravasava por entre as coxas, e no efeito de suas mãos sobre os seios, que ensaboava lentamente, de mamilos eriçados.
Encostou-se na parede, sentindo as pernas fraquejarem, no tempo em que a mão direita foi descendo pela barriga, sem pressa, em direção aos pêlos molhados e escorregadios de espuma. O dedo encontrou a abertura por onde o prazer escorria e sentiu-se molhada, também, por dentro. O prazer crescente acelerava a sua respiração, acelerava sua mão sobre o seio, acelerava os dedos sobre a pele sensível e túrgida de seu sexo.
Um orgasmo se pronunciava e querendo prolongar aquele momento prazeroso e solitário, voltou para debaixo da água morna do chuveiro, apoiada de frente para os azulejos do boxe. Jogou mais um pouco de sabonete na mão e espalhou pelo corpo e, vagarosamente, recomeçou a se tocar.
Os movimentos foram se tornando frenéticos, incontroláveis e sentiu a visão se anuviar quando o orgasmo veio explosivo, intenso a ponto de fazer o corpo inteiro tremer, desenfreado.
Seguiu-se um fraquejar de pernas e de braços, que a fizeram deixar o corpo escorrer, com as costas na parede lisa dos azulejos, até ao piso. Ficou ali, sentada, sorvendo todos os resquícios daquele arrebatamento.
A expressão feliz dizia tudo, só que ninguém teve o prazer, a grande sorte de contemplar aquela cena de rara beleza.
Osair de Sousa
Por Osair às 3:13 PM 6 comentários
10/05/2008
Dois iguais
No claro olhar sereno da luz
Aquela flor de intensa matiz
Revela na alma vadia do dia
A ternura a eterna aprendiz
E em toda a cidade se ouve
Que a cigana sorte do amor
Quer o seu igual, coisa e tal
Um santo em cima do andor
E já não se sabe que o olhar
Seja cigana, seja lá o que for
É flor que brota por sob o luar
Sabendo bem o bem do amor
Na escolha indecisa da noite
Só uma estrela cadente reluz
Como o cometa solto no céu
Resplandece em palcos azuis
Soam sirenes emitindo sinais
Que ouvimos sem nada saber
Dois cegos sedentos de amor
Somos um em dois tão iguais
Osair de Sousa
Por Osair às 2:22 AM 2 comentários


