
“Sabe lá o que é o amor profundo que se obriga ao silêncio?” A sua dor e o seu amar se calam e se vestem com roupas irreconhecíveis, que não lhes são próprias, que apertam, sufocam, deixando-o pouco à vontade no seu eu verdadeiro, fazendo doer mais e mais a dor do sentimento auto-refreado.
Na capa em que se esconde seu secreto desejo há frestas e transparências que não escapam ao olhar atento dela, que se incomoda por não ser algo desejado. Para ele, é a fraqueza das horas do sustentável amar que se extravasa feito represa que desaba sob o peso da fatal última gota. Mas não demora a se recompor na força da necessidade de respeitá-la em seu não desejo, de fazer valer o que é realmente Amar. A alegria se entristece ante a inevitável constatação de que, ao sonho somente, esse tanto querer é admissível, é aonde encontra a sua correspondência e se satisfaz.
Por tudo isso, acaba por fim, o amante solitário contentando-se com o pouco que lhe é dado, construindo a partir desse bocado, o seu castelo quixotesco, aonde se aloja e do qual alimenta suas salvadoras fantasias. É um reino frágil, mas é o seu reino possível e é ali que tudo acontece; ali os dois se entregam em plenitude, em sintonia, num gozo infindável de sensações. Nesse reino tudo é aceitável entre dois corações que se fazem de um. É lá, quando a saudade aperta, que ele se refugia; lá é o abrigo dos amantes lindamente despudorados e de bem com a vida, complementando-se, com o único objetivo de viver para serem felizes.
Mas o que ele faz da inexorável realidade? Como um animal solitário, mas forte e decidido, vai vivendo um dia por vez, lutando pela felicidade, que para si é a única razão do existir.
Osair de Sousa
Comentários
tu és bruxo osa?