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30 de jun de 2006

Reencontro interior

“Nada permanece inalterado para sempre”, pensei ao reencontrá-la depois de alguns meses. Não que ela estivesse diferente na aparência despojada de modismos ou mesmo no comportamento sempre alegre, desses que contagia pela sinceridade quase inocente. O que mudara, comprovei depois, não tinha nada a ver com ela, mas com o modo como eu a enxerguei nesse dia.
Foi um encontro casual, num bar que costumo freqüentar. Já tínhamos ido lá algumas vezes para nos divertir, conversar, acompanhados de vinhos e cumplicidade. No início havia um prazer amigo de uma agradável companhia feminina que, com o passar dos dias, se metamorfoseou em uma paixão romanesca. Eu a via como uma extensão vital do meu futuro e, num determinado ponto dos acontecimentos, fez-se uma desordem no meu íntimo, uma contradição entre o espírito e o nem sempre bem-vindo racionalismo.
Deixei de vê-la para tentar enxergar a mim mesmo, saber onde estava a magia que me levava a quase perder a respiração ao me encontrar com ela, que fazia o coração perder o ritmo e bater apressado, quase em desespero. Não encontrei respostas para este estado de apoplexia amorosa e desisti sem, contudo, voltar a procurá-la, muito embora o extenuante sacrifício do desejo me magoasse a alma.
Nesse reencontro nada disso aconteceu. Foi uma alegria calma e repleta de ternura e compreendi que poderíamos ser amigos, simplesmente. A mesma magia que me fizera ficar com todos os meus sentidos preso à sua presença, me devolveu a calma. Enfim, ela em nada mudara, mas em mim, prevaleceu a certeza de que o tempo nos molda e corrompe nossos desejos de uma maneira inexorável e cruel.

[osair de sousa – curto conto]

3 comentários:

fada disse...

Há dois anos, a seu mundo despencava em ruínas frente aos seus olhos...
Primeiro em forma de conceitos, alterando de forma irremediável suas verdades até então...depois tudo a sua volta...todo o seu mundo...faziam alguns anos que sua identidade se perdia pouco a pouco...
Pessoas estranhas foram de vital importância a sua reconstrução, recebendo elogios e carinhos de pessoas que via como inaccessíveis a sua pouca intelectualidade.
Ele chegou de mansinho, com carinhos e uma ternura sem igual...falando pouco, dizendo muito...
Ela sentiu-se como nunca antes, quando silenciosos escutavam uma música lúdica como pétalas de ternura se expandindo no ar...
Amaram-se sem nunca se tocarem, conversaram sem escutar voz alguma, só a voz da alma se fazia presente...
Foi o começo do fim de tudo que ela acreditava ser seu, e recomeçando sem nada, sem ao menos crenças antigas que lhe serviram tantos anos de escudo...novos horizontes a sua frente, novos dons jamais sonhados se desabrochando dia a dia, uma nova vida se apresentando ante seus medos e sua fragilidade...
Ele foi seu amparo, e a razão de seus sorrisos sem perceber... ele foi a primeira pessoa em que ela confiou em vida, ele foi a razão da sua força, sem ver e sem perceber sua importância...
Não importa o que acontecerá no futuro, o que será deles, se é que um dia acontecerá algo, o que importa são as doces lembranças, que a fortalece a cada dia, lhe sorrindo no alvorecer, e delicadamente lhe aquecendo a alma, nas noites frias de inverno...
Sua alma sempre será grata a esse homem de alma pura como um anjo caído em seu jardim, a lhe fortalecer os laços com o infinito amor...

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