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5 de nov de 2006

O Plantador









Para Maria

Aqui me encontro para plantar sementes.
Trago melodias inventadas no suor,
paixões atribuladas, cheiros, peles, beijos
e muita sede de sorrisos espontâneos.
Se pudesse, a cidade seria um grande quintal,
com cirandas de roda ao joeirar o trigo
junto a quem vibra num jeito vadio de amar,
brindando nossos copos de vinho
na vindima da alegria.

Estou aqui e quero que venha comigo
tudo que possui alma criança e prostituta,
alforriado dos cárceres e de inquisições
para remover os oratórios austeros
e semear em fartura a veia ardente da vida.
Se pudesse, os campos, cerrados e as serras,
(qualquer canto), seriam floridos, alegres,
com rituais de corpos que dançariam
ao prazer dos cios.

Aqui estou em contraponto melódico
semeando meus sonhos e utopias.
Se pudesse, este poema deportaria
angústias e supria a lacuna vil
com a beleza apaziguadora
dos que sabem da felicidade,
essa companheira ideal.
Vim plantar e colher o que, brotado,
essa fome saciar.

Aqui me encontro, nem demônio nem santo,
apenas um plantador de sonhos
que acredita, que se rebela e não descansa,
mesmo que, quando a noite vinda,
sabe que nada pode fazer, chora e adormece
para acordar no novo dia de batalha:
a esperança sempre estará no ar.
isso eu posso, na minha alma, meu quintal,
acreditar, acreditar.

[osair de sousa]

5 comentários:

fada disse...

Sempre me encanto, quando penso que já li o mais lindo, novas palavras descrevendo emoções, sonhos, pensamentos...O ser é um universo maravilhoso, ilimitado, conhecer-lhe o universo pessoal é uma grande viagem em mundos diversos e iluminados...Aos poucos uma reação aqui, outra palavra ali, e o ser se revela, sendo semeador de amor nos corações por onde passa, deixando um rastro de flores perfumadas de magia...Sentir e Ser sem falsos pudores, sem a danada hipocrisia, numa sociedade que se fez peça de teatro com atores espalhados pelas ruas, e a solidão devastando os corações, ser e simplesmente se ser sem os apegos da vaidade, apenas fluindo a essencia de cara lavada e alma nua, despindo da matéria as vestes dos pré conceitos e simplesmente vivendo-se em plenitude do que és...É assim que te vejo aqui, sem falsos pudores, nú e entregue...
Te beijo

Luiz de Aquino disse...

Maná, meu querido! Você se depura a cada dia, a cada novo poema, a cada nova prosa. É a marca da maturidade consciente, do intelectual que sabe o valor do silêncio e da espera.

Abraços do irmão em letras,

Luiz.

Anônimo disse...

"Quem sabe, ainda haja um tipo de pessoa perdido neste mundo - os anjos de asa quebrada; tem um brilho tão forte que por isso mesmo ficam invisíveis às pessoas, pois não conseguem ser visualizados tamanha luz irradiada em sua passagem. Se você conhecer alguém assim, agradeça aquilo que tem, pois a vida é efêmera e não se habita duas vezes um espaço de uma vida só". (Claudio Manoel)

Um plantador de sonhos
é um anjo
que irradia tanta luz,
que você já não consegue
visualizá-lo,
por isso ele
precisa escrever,
para deixar pegadas,
rastros,
para nossos olhos verem
e nossos corações,
humildes, gratos,
acreditarem.
E então você acredita...
Você acredita... (Maria)

Sem palavras poeta, sem palavras.

Anônimo disse...

Com gratidão trouxe este poema que fiz para uma pessoa bem especial, mas que de certa maneira fala da alma de cada poeta.
E como fiquei emocionada nem disse obrigada. Então digo agora com este poema.


A noite é a casa do Poeta

Na noite
vaga o poeta
sua amada
à procurar,
no vento
grita seu amor,
faz na brisa
sua dor chorar,

por viver longe,
tão distante,
da musa,
da lua,
da flor,

da mulher,
estrela-menina,
que no jardim
encontrou...

a noite é
a casa do poeta,
a estrela,
a flor,
do poema a rima,

a lua tímida
forma os versos,
e a mulher,
a alma da poesia.


Maria

Anônimo disse...

E como vi que tem uma musa, que me parece também tem alma de poeta, deixo aqui mais uma poesia que fiz para o meu poeta amado.
Com carinho para você poeta e sua musa.

A musa e o poeta

Cruzei a noite, silenciosa,
pensativa sobre o dia,
murmurou-me a alma consolada:
- A tormenta passou, agora sorria.

Vem comigo nesta manhã
sentir o perfume das trilhas
do jardim dos encantados
ali flui a vida, que maravilha.

Vem, vamos para a floresta,
na orla da mata cavalgar,
de mãos dadas, enamorados,
e com a alma a cantarolar.

O coração está liberto
dos laços que o prendiam
livre, solto, qual potro azul
a voar nas pradarias.

E na cúpula azul do céu
voemos juntos, anjos alados,
livres da dor e da culpa,
de que amar seria pecado.

Vem, meu anjo, agora é a hora
tão esperada, a hora dileta,
de cantar ao mundo o belo amor,
que sentem a musa e o poeta.

Maria

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